
Bianca Martins
Graduada em Design pela EBA/UFRJ, Mestre e Doutora em Design pela PUC/Rio, desde 2000 atua com foco nos usos de estratégias do Design em práticas educativas. Tem experiência em coordenação de curso de Graduação em Design, Coordenação de projetos de Design Instrucional e Design Estratégico. Como professora e pesquisadora da ESDI/UERJ, investiga articulações do universo do Design à Educação e é integrante e coordenadora do Laboratório de Design e Educação.
Interesses de pesquisa
Articulações políticas e metodológicas entre Design e Educação: o pensamento projetual em práticas educativas como dispositivos de agenciamento entre sujeitos, artefatos, tecnologias, ambientes e situações didáticas. Fazendo uso dos procedimentos do design participativo e da pesquisa-intervenção na educação, estuda inserções de Design em práticas educativas na educação formal (escola e centros de formação) e em espaços informais de aprendizagem. Ainda, desenvolve pesquisas relacionadas à Formação em Design: pedagogia, currículo e metodologias como também aos usos do Design na formação de professores. Atualmente, tem especial interesse em pesquisas sobre os usos do pensamento projetual em práticas educativas escolares: aprender projetando e/ou professores designers de experiências de aprendizagem.
Bibliografia fundamental
FONTOURA, Antônio. EdaDe: a educação de crianças e jovens através do Design. Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil, 2002.
DAVIS, Meredith. et al. Design as a Catalyst for Learning. Virginia: ASCD, 1997.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1991.
KASTRUP, Virgínia. A invenção de si e do mundo: uma introdução do tempo e do coletivo nos estudos da cognição. São Paulo: Papirus, 1999.
FERRAÇO, Carlos. Pesquisa com o cotidiano. Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 98, p. 73-95, jan./abr. 2007.

O Design no processo de aprendizagem de Artes na Educação Básica
O presente trabalho reflete as trajetórias acadêmica, profissional e pessoal que venho construindo, em que permeiam as áreas da educação e a da criatividade, em especial o Design. Desse modo, relaciona-se ao percurso de construção da minha prática pedagógica para o ensino-aprendizagem de Artes, tendo como recorte o Centro Educacional de Maricá Joana Benedicta Rangel, uma das escolas em que lecionei durante o estudo. Assim, em um cenário de desafios, prazeres e descobertas, trata-se de uma pesquisa exploratória, que tem como enfoque metodológico a pesquisa-intervenção, orientada pelo método cartográfico, assumindo as interferências entre sujeito e objeto pesquisado. Tem portanto, como objetivo primário, acompanhar e vivenciar os processos de integração entre Design e o ensino-aprendizagem de Artes, em uma escola pública da cidade de Maricá, tomando esta comunidade escolar como um público parceiro de projeto de design, estabelecendo relações entre design, artes e o Paradigma da Comunicação (Pacheco, 2019), buscando possibilidades de ressignificar este componente curricular nesse contexto escolar. Para desvendá-lo, inicio com uma análise a partir de pesquisa de campo, com base em documentos, questionários e entrevistas, que me levaram a identificar os principais pontos de interesse em investimentos da prefeitura em educação, os maiores anseios das alunas e alunos e os objetivos das professoras e professores de Artes. Em seguida, fundamentada em uma revisão assistemática de literatura, busco possíveis relações entre artes e design, compreendendo-os como processos. Posteriormente, apresento um panorama sobre a Arte e sobre o Design na Educação Básica, bem como as quatro abordagens que embasam este trabalho: Abordagem Triangular (Barbosa et al., 2010), Aprender Projetando (Martins, 2022), Aprendizagem Inventiva (Kastrup, 2005), e Aprender em Comunidade (Pacheco, 2019). Estes, em geral, se conectam dentre outras coisas, pela proposta de promover uma aprendizagem ativa, por meio das relações, além da construção da autonomia e da subjetividade. Reunindo as principais descobertas, apresento um desenho de uma proposta pedagógica, vivenciada com duas turmas de sexto ano do Ensino Fundamental. Analisando a experiência, foi possível perceber a presença de diversos aspectos das quatro abordagens, consistindo em uma reunião frutífera para a construção de competências e de conhecimentos, e para o desenvolvimento de habilidades e de valores importantes para a formação integral do indivíduo, apesar de algumas implicações. Estas, por sua vez, provocaram reflexões com vistas à novas possibilidades.


RPG, Design e Educação: trajetórias, cocriação e transdisciplinaridade a partir de observação na Ludus Magisterium
O título dessa pesquisa é RPG, Design e Educação: trajetórias, cocriação e transdisciplinaridade a partir de observação na Ludus Magisterium, desenvolvida por Rafaela Nóbrega, orientada por Bianca Martins e co-orientada por Barbara Necyk, dentro do Programa de Pós-Graduação em Design da Escola Superior de Desenho Industrial na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Essa pesquisa investido o uso do RPG dentro do ensino aprendizagem sob um olhar da Educação fertilizada pelo Design, tendo a Ludus Magisterium como texto para pesquisa. Trazemos o cenário atual da educação brasileira, juntamente com a BNCC, como mapeamento de contraposição a educação libertária de Paulo Freire para que se possa investigar as possíveis transversalidades e entrelaçamentos entre os três temas principais da pesquisa. Orientamos-nos a partir da questão: Quais possibilidades se revelam a partir do uso do RPG como estratégia de ensino aprendizagem, pelas professoras da Ludus Magisterium, a partir da ótica do Design, da Educação e das fertilizações que já foram estudadas entre as duas áreas? Para isso utilizamos, como proposta metodológica a pesquisa exploratória dividida em referencial teórico (abarcando uma revisão sistemática do RPG em consonância com o design e a educação e uma revisão assistente da bibliografia dos temas) e produção de dados (utilizamos questionário, entrevistas e análise de dados). Os principais resultados encontrados foram um quadro comparativo de similaridades entre os três pilares principais da pesquisa além das suas diferenças, transversalidades e entrelaçamentos consolidados em características que perpassam os temas.

Projetando práticas de ensino-aprendizagem: o design no cotidiano, ação e reflexão do professor da educação básica
Alguns autores do Brasil e do exterior já traçaram os caminhos costurando Design e Educação, assim como algumas escolas já adotam o design, seja como metodologia – de forma que sirva para os professores elaborarem suas aulas – ou como componente curricular – em forma de projeto no qual os alunos sejam envolvidos. Fala-se, nesta dissertação, entretanto, não do designer especialista/profissional designer na escola, mas do professor designer de práticas de ensino-aprendizagem, ou seja, do design como processo de pensamento e desenvolvimento de atividades e gerenciamento de espaços. A partir de uma pesquisa bibliográfica e uma entrevista com 6 professores da educação básica da rede pública, conceitua-se o design como processo de pensamento, e investiga-se se a premissa de que o design é inerente à todo ser humano, e neste caso, a todos os professores.

O papel do designer na cultura do DIY e sua atuação em espaços maker no Rio de Janeiro
O Do It Yourself é um movimento que ganhou força nos Estados Unidos, mas que tem raízes muito mais antigas, como o sloyd na Suécia em 1860. Esse movimento, que chegou ao Brasil há poucos anos, trouxe consigo novos modelos de negócios. Um deles é o compartilhamento de oficinas e cursos práticos, como o de marcenaria com enfoque no público hobbista, realizados nos locais conhecidos como espaços maker. No atual cenário de desindustrialização e de crises econômicas, o surgimento desses espaços abre portas para designers que desejam desenvolver peças autorais e trabalhar atuando diretamente com a produção artesanal de suas peças em pequenos e médios lotes. O principal objetivo deste trabalho é observar e mapear os avanços do campo do design de produto dentro dos espaços maker no contexto da cultura DIY na cidade do Rio de Janeiro, identificando as formas de atuação e as contribuições tanto para os prossumidores quanto para os próprios designers. Por meio de uma série de entrevistas com designers residentes nestes locais, foi possível observar os modos de atuação de cada um dentro do espaço, analisando seus históricos de vida e suas escolhas profissionais. Nessa pesquisa,foram entrevistadas quinze designers, formais e informais. Na amostra, foi percebida uma baixa adesão de designers formais atuando como residentes nos locais pesquisados, o que pode estar relacionado à baixa divulgação da existência destes locais para trabalho e ao ensino de design com pouco incentivo no desenvolvimento de habilidades manuais práticas.


Acolher e orientar jovens do Ensino Médio em seu processo de escolha vocacional: uma contribuição do Design de experiências
A escolha de um curso de graduação é um momento decisivo para jovens que decidem ingressar em um curso superior, entretanto, escolher um curso e estar ciente do que esperar seja do dia a dia da graduação ou das possibilidades empregatícias não são mentalidades convergentes. Isso ocorre principalmente para jovens que não possuem pontes com profissionais de referência em seus círculos de convivência ou proporcionados pela escola das áreas que almejam ingressar. Para se debruçar nessa problemática foram utilizados conceitos e ferramentas do design de inovação social com autores de referência como Ezio Manzini, além disso, pelo forte âmbito educacional da pesquisa, Paulo Freire foi fundamental para o desenvolvimento da pesquisa. Através de entrevistas qualitativas, processos observatórios e trocas com conversas horizontalizadas foi possível mapear a situação envolvendo os parceiros de projeto que poderiam futuramente utilizar dos resultados obtidos em aplicações reais do cotidiano.


Entre Dados e Mulheres: Um olhar visual sobre as mulheres da ESDI entre os períodos de 1963 e 1974.
Este trabalho de conclusão de curso analisa o perfil das mulheres alunas da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) entre 1963 e 1974, utilizando dados do arquivo da instituição. O objetivo é promover um debate crítico sobre esse perfil e suas relações com o contexto histórico. Para isso, o trabalho busca compreender o contexto político da época, comparar modelos de escolas de design anteriores à ESDI e desenvolver um processo de análise curatorial dos dados, culminando na produção de visualizações que facilitam a compreensão e discussão sobre o tema.

Cápsula do tempo: uma dinâmica pedagógica para desenvolvimento de comunicação afetiva professora-aluna
O presente trabalho de conclusão de curso contextualiza-se no cenário escolar do Rio de Janeiro, com a dificuldade de desenvolver abordagens pedagógicas diferentes do modelo de ensino tradicional e expositivo. Com isso, busca-se investigar o design como ferramenta estratégica para os ambientes escolares, potencializando a comunicação entre docentes e discentes. Entretanto, por consequência da pandemia de COVID-19 e a necessidade de isolamento social para preservar a vida das pessoas, todas as etapas do projeto foram realizadas remotamente. Assim, com o auxílio de plataformas dos meios digitais, contou-se com a colaboração de duas professoras parceiras — redes públicas e privadas —, em que o projeto final teve as demandas de seus cenários específicos trabalhados. O resultado, ao final do projeto, foi um artefato didático, no qual reúne sugestões de dinâmicas pedagógicas focandona individualidade das alunas. Dessa forma, ressalta-se a contribuição dodesign como uma área do conhecimento capaz de trabalhar em cenários complexos e com questões de diferentes realidades.



Inventariação de materiais pedagógicos acessíveis do Instituto Benjamin Constant
Centro de referência nacional na área da deficiência visual, o Instituto Benjamin Constant fabrica e distribui gratuitamente Materiais Pedagógicos Acessíveis para diversas instituições de ensino que atendam pessoas com deficiência visual; materiais que contemplam desde a educação infantil até disciplinas do ensino médio. Porém, é importante notar que além de certa burocracia na solicitação do pedido e a falta de informações detalhadas sobre o material, soma-se a isso tudo o fato de que muitos professores do Instituto também produzem diversos Materiais Didáticos Acessíveis para auxiliar as crianças no entendimento de algum conteúdo, contudo tais Materiais não são compartilhados, fabricados e muito menos distribuídos pelo próprio Instituto onde lecionam. O presente estudo tem como principal objetivo analisar e discutir alguns desses Materiais Pedagógicos Acessíveis criados e/ou utilizados por professores do Ensino Fundamental, do Instituto Benjamin Constant à luz da revisão de literatura, da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Design Universal. Como conclusões da pesquisa, foram observadas que, mesmo sem conhecimento prévio, os professores do Instituto conseguiram criar objetos pedagógicos acessíveis sem se desviar muito dos sete princípios e das vinte e seis diretrizes que regem o Design Universal e que é possível criar, entre eles uma prática de inventariação dos Materiais Pedagógicos Acessíveis com o intuito de compartilha-los.

Design e Ativismos Uma investigacao sobre as Fronteiras Políticas da Prática do Design
A necessidade de uma investigação do papel de um design(er) na sociedade, seus ativismos e outros desdobramentos, se inicia a partir de uma experiência pessoal dentro da universidade, permeada por questionamentos complexos, em relação às representações e possibilidades do design, em meio a um contexto social e político conturbado.
Portanto, o trabalho propõe uma análise do contexto social e histórico sobre o tema, seguindo para uma investigação no espaço acadêmico, onde muitos estudantes iniciam sua formação e começam a se deparar com tais questões. Além de ser intrinsecamente um espaço em que ocorrem muitas reflexões em torno do próprio design.
Cercada por muros, tanto hipotéticos quanto físicos, que nos separam de outras realidades, a ESDI se apresenta como espaço de campo de análise para essa pesquisa da (re)aproximação do design gráfico e o ativismo, seus efeitos e possibilidades. Esta presente no debate também a capacidade da linguagem visual de refletir um discurso gráfico, que se permeia ao longo da nossa formação e para além dela.
Inicialmente, o propósito é investigar do que tratam esses ativismos e como eles se constroem, de forma a entender a conjuntura atual em que esses se situam. Assim, foi realizada uma análise teórica, seguida de contato com pessoas envolvidas no contexto da universidade, para entender o que de fato está envolvido no processo de criação de um design social ou ativista.
Na segunda parte, através de um fase mais prática, esses dados e investigações serão trabalhados e expostos, com o objetivo de ampliar ainda mais o debate em torno do design ativista e sua atuação, não só dentro espaço da ESDI, mas também fora dele.


dream ON Um Método de Design In-Consistente


Os Mamutes Projeto de representação gráfica de um texto dramático


Samba de Irajá Saberes, Sabores e Simbora
O livro digital consiste em explorar as potencialidades do bairro de Irajá, zona Norte do Rio de Janeiro, através da cultura do samba presente na memória afetiva e vivência dos moradores nas rodas de samba, no carnaval e no seu cotidiano.
O projeto busca sondar as histórias do passado e presente e contribuir com a possibilidade de fazer com que o bairro passe a ter mais visibilidade e interesse ativo da população local, os moradores do bairro e vizinhos, trazendo visualidade junto às mídias digitais. Ao mostrar a importância do samba segundo diversos autores e dados de conhecimento popular, a proposta é mesclar a história oficial com a história oficiosa.
A publicação conta com a apresentação de pontos importantes do bairro, mostra algumas músicas, cantores crescidos no local e as rodas de samba. Ela foi desenvolvida para estimular o maior interesse pelo bairro.


Subúrbio Sobre Rodas
O projeto consiste em um sistema de informações e práticas acessíveis, com a intenção de impulsionar o lazer e turismo para pessoas cadeirantes em bairros do subúrbio carioca, além de valorizar culturalmente esses locais expressivos do Rio de Janeiro e pouco explorados turisticamente.
Madureira é o bairro piloto escolhido para implementação e exemplificação no projeto.
A partir de análises, identificou-se necessidades relacionadas à iniciativas e ações em acessibilidade que não fossem diretamente associadas às barreiras físicas, arquitetônicas e infraestruturais. Mas sim à disponibilização de informações, materiais e tecnologias que facilitem a escolha e acesso a mobilidade urbana e as práticas de atividades culturais e de lazer. Junto a isso, o desejo de difundir e valorizar o turismo no subúrbio do Rio de Janeiro.
Desse modo, a pesquisa adentra-se no universo de pessoas com deficiência, especificamente os cadeirantes, compreendendo as dificuldades no exercício do direito à inclusão social e inserindo-os no contexto do turismo no subúrbio.


A construção dos Saberes-Fazeres Carnavalescos e os processos de Criação Coletiva nos barracões da Cidade do Samba
Em que medida os barracões da Cidade do Samba podem ser considerados espaços de construção de conhecimentos e desenvolvimento de processos que articulam criatividade e pensamento projetual? Esta tese acompanha as relações entre a criatividade e formas de pensamento projetual envolvidos na produção coletiva dos artefatos carnavalescos nos barracões da Cidade do Samba. Ao fazê-lo, procura focar a pesquisa nos artífices que habitam, tensionam e transformam os saberes-fazeres nas fábricas do carnaval.
Este estudo mobiliza conhecimentos nas áreas do Design e Educação, por entender que o objeto de estudo é sempre um problema complexo e, como tal, exige uma abordagem teórica e multidisciplinar.
Colocar o foco nos artífices significa valorizar a arte e o ofício dos trabalhadores que, praticamente anônimos, criam e produzem a visualidade de um dos maiores espetáculos ao ar livre do mundo. Essa pesquisa considera potente o conceito de dispositivo em Deleuze e Foucault, justamente porque permite acompanhar os regimes de visibilidade e invisibilidade que operam durante os processos de produção dos saberes-fazeres presentes no cotidiano da Cidade do Samba.
Os paradigmas educacionais comparecem nesta pesquisa orientados pela perspectiva da aprendizagem inventiva. Isso porque as aprendizagens vivenciadas pelos artífices são tratadas como invenções de problemas antes de serem invenções de soluções.
Outro aspecto considerado relevante nesta pesquisa aponta para a evolução histórica dos processos de produção artesanal praticado pelos artífices. Dito de outra forma, queremos acompanhar o efeito dos novos meios de produção, cada vez mais capazes de realizar tarefas que antes dependiam exclusivamente do trabalho manual do artífice.


Aprendizagem Baseada em Design na formação continuada de professores do Ensino Médio
O entrelaçamento entre o campo do Design e a área da Educação, no que tange à ampliação da interdisciplinaridade do processo projetual para as práticas de ensino-aprendizagem, com a intenção de contribuir na formação de professores capazes de atuar na complexidade do mundo contemporâneo, é o tema central desta pesquisa. Faz-se urgente, principalmente no cenário pós-pandêmico, catalisar esforços de diferentes áreas do conhecimento para, em parceria com os profissionais da educação, pesquisar, refletir e debater os desafios existentes na realidade das escolas públicasbrasileiras, buscando construir uma educação que vai além da transmissão de informação, que considera o ensino com propagação da experiência (Kastrup, 1999) e a multidimensionalidade das questões envolvidas nos processos de ensino-aprendizagem, oportunizando o pensamento crítico e a autonomia na formação de jovens. O avanço exponencial dos recursos tecnológicos no século XXI nos força a questionar se as práticas e os conceitos de ensino-aprendizagem vigentes em grande parte das escolas públicas no Brasil são eficazes para construir um modo de pensar e agir que não seja apenas operacional e sistemático nos nossos jovens. Para além das questões práticas relativas ao domínio de linguagens e de aparatos tecnológicos, precisamos ampliar as discussões com foco no enfrentamento de problemas compostos de vários elementos e dispostos em um emaranhado de camadas como, por exemplo, o esgotamento dos recursos naturais do nosso planeta.
Mitchel Resnick (2017, p. 23) coloca a seguinte pergunta, “Como podemos ajudar osjovens a se desenvolverem como pensadores criativos, para que estejam preparados para uma vida neste mundo em que tudo muda tão rapidamente?” Ele apresenta então os quatro Ps que acredita serem centrais para ações educativas que se comprometam com o estímulo à criatividade e à inovação, a saber: projetos (projects), paixão (passion), parcerias (peers) e pensar brincando (play).
Partindo do pressuposto de que o aluno aprende melhor quando torna significativa ainformação ou os conhecimentos que lhe são apresentados (Hernández & Ventura,1998), o pensamento projetual, intrínseco ao Design, tem se revelado uma abordagem promissora como prática pedagógica para lidar com a fluidez do mundo contemporâneo e implementar espaços educativos mais instigantes e criativos. A Aprendizagem Baseada em Design, segundo Bianca Martins (2022, p.23), se apresenta como um tipo especial de aprendizagem ativa cuja “estratégia educativa favorece a abordagem multidimensional apropriada à abordagem de problemas do mundo contemporâneo, que se realiza por meio de trabalho em equipe, desenvolve a solução em colaboração

Design pelas mãos: ensino de design de produto através de métodos práticos de oficina
A proposta de pesquisa busca aprofundar os conhecimentos necessários para formar designers capazes de desenvolver e produzir suas próprias peças autorais de maneira artesanal em baixa e média escala, propondo uma formação para atuar como designer produtor. O design, que sempre precisa se adaptar às tendências do mercado e novas tecnologias, se diversificou desde a Revolução Industrial em várias categorias. O design de produto, uma das áreas clássicas do design, incorporou novas tecnologias, mas a atuação do profissional no mercado ainda segue os moldes tradicionais, geralmente em agências ou empresas.


Ensino de Design para além dos muros da graduação


Pensamento Projetual, o design thinking em práticas de cultura maker na escola
A pesquisa consiste em produzir reflexões relacionadas a processos e desenvolvimento de atividades multidisciplinares, onde oportunidades e desafios são mapeados de acordo com as necessidades do contexto escolar dos alunos envolvidos, sugerindo o pensamento projetual, auxiliado por um uso consciente e produtivo dos recursos digitais e analógicos disponíveis, para planejar, projetar e criar conteúdo, a partir de oficinas de criação de identidade visual e de produção audiovisual. O projeto possibilita intervenções ativas e colaborativas envolvendo abordagens de design thinking em sala de aula, despertando a curiosidade e motivando o aprender fazendo da cultura maker, entendendo cada etapa na produção, interligadas entre si para realização de um projeto final. Produzindo e coletando dados diretamente do campo, e cartografando seus personagens, suas redes e tramas, a pesquisa implementa na prática a parceria entre o Núcleo Design & Escola do Laboratório de Design e Educação da Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o D&E DesEducaLab ESDI/UERJ e a comunidade escolar, alunos e professores do Colégio Estadual Operário João Vicente (CEOJV), voltado para o ensino médio regular e situado na região de Imbariê, em Duque de Caxias-RJ.


Pesquisar é coletar pistas: como o design pode ser aliado na autoestima de uma menina
Esta pesquisa origina-se de uma experiência pessoal com Helena, uma menina negra de cinco anos, durante um trabalho de conclusão de curso. O objetivo inicial foi investigar as percepções distorcidas que Helena tinha sobre si mesma, associadas a características físicas como sua pele e cabelo. Utilizando uma abordagem de escuta ativa e atividades participativas, como oficinas de penteado e leituras, a pesquisa buscou entender e expandir a visão de Helena sobre sua identidade e autoestima.
O estudo reconhece que a jornada de autoconhecimento é um processo contínuo e não pode ser plenamente alcançado em um projeto limitado. Portanto, questiona a eficácia de encerrar o projeto e sugere a continuidade do trabalho com Helena e sua família para promover discussões mais amplas sobre racialidade e autoestima infantil. A pesquisa propõe que um design participativo e lúdico pode ser adaptado para outras famílias, fomentando diálogos sobre autoimagem e questões raciais, e contribuindo para um contínuo processo de autoconhecimento.


Plataforma de compartilhamento para materiais para o ensino de desenho
A pesquisa propõe uma reformulação curricular no ensino de Desenho na educação básica, expandindo seu foco além da representação geométrica e projetiva para uma abordagem mais ampla da linguagem gráfica, incluindo graficacia, desenhística e modelagem. O objetivo é proporcionar um ensino mais abrangente e acessível, não apenas para escolas com uma disciplina de Desenho estabelecida, mas para todos os alunos, independentemente do nível de formação. A proposta visa fornecer aos educadores ferramentas para preparar os alunos para interagir com o mundo projetado e material, desenvolver a coordenação motora fina e analisar criticamente a cultura visual, promovendo uma sociedade mais igualitária no consumo de imagens e artefatos.


Projeto escola: as professoras como designers
Neste estudo, o objetivo é aprofundar a compreensão sobre o papel das professoras como designers e desenvolvedoras de projetos escolares. Inicialmente, a pesquisa buscará investigar os processos e as inspirações que orientam as docentes na criação e implementação de projetos em suas salas de aula. Reconhece-se que o design é uma ferramenta já empregada pelas educadoras e que o pensamento projetual, sendo uma forma de inteligência acessível a todos, pode ser aprimorado através de treinamento (CROSS, 2011). Em seguida, a pesquisa visa explorar maneiras de colaborar com as professoras no uso do design em suas práticas diárias. Além disso, será analisado como essas docentes utilizam o design para inovar, afastando-se das metodologias tradicionais e das abordagens expositivas, com destaque para como a reorganização do ambiente escolar pode promover a quebra de hierarquias e o protagonismo dos alunos.
